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  • Varsóvia, entre a memória e a reinvenção

    Varsóvia, entre a memória e a reinvenção

    Varsóvia é hoje um dos exemplos mais marcantes de reconstrução urbana do século XX. Destruída quase por completo durante a Segunda Grande Guerra, a cidade reinventou-se de forma brilhante, preservando a memória enquanto abria espaço para um desenvolvimento moderno. Visitar Varsóvia é observar como a história, a política e a cultura se entrelaçam num território onde quase nada é exactamente o que parece.

    No final de 1944, após a derrota da Revolta de Varsóvia, as tropas nazis executaram uma destruição metódica: cerca de 85% da cidade foi arrasada. Bairros inteiros desapareceram e a população foi drasticamente reduzida. O impacto foi tão profundo que, na prática, Varsóvia deixou de existir como uma cidade funcional.

    A reconstrução começou logo após a guerra, com decisões que marcaram a identidade da cidade. A Cidade Velha foi reconstruída com base em pinturas do século XVIII, do artista Bernardo Bellotto, criando uma réplica histórica que viria a ser reconhecida pela UNESCO como Património Mundial.

    Cidade Velha: reconstrução transformada em património

    Hoje, a Praça da Cidade Velha (Rynek Starego Miasta) é um dos pontos mais visitados da capital. As fachadas coloridas, os edifícios estreitos e a atmosfera medieval escondem o facto de se tratar de uma reconstrução do pós-guerra. Na praça, destacam-se a Catedral de São João, palco de momentos importantes da história da Polónia, e o Barbacã, que marca a antiga entrada fortificada da cidade.

    Cidade velha
    Cidade velha

    Castelo Real: símbolo do renascimento nacional

    Também reconstruído praticamente do zero, o Castelo Real de Varsóvia é outro marco da identidade nacional polaca. Sede do governo da antiga República das Duas Nações, o edifício simboliza o período de maior influência política da Polónia antes das partilhas do século XVIII. Reaberto ao público em 1984, é hoje um museu que combina arte, história e memória.

    A partir do castelo inicia-se a Rota Real, um dos principais eixos culturais da cidade.

    Castelo Real de Varsóvia
    Castelo Real de Varsóvia

    Pela avenida Krakowskie Przedmieście, uma das mais elegantes do país, encontram-se instituições centrais como a Universidade de Varsóvia, o Palácio Presidencial e várias igrejas históricas. A via prolonga-se por Nowy Świat, uma artéria onde cafés, restaurantes e lojas marcam o ritmo contemporâneo da capital.

    Avenida Krakowskie Przedmieście
    Avenida Krakowskie Przedmieście

    A Rota Real liga o centro ao palácio barroco de Wilanów, conhecido como o “Versalhes polaco”. Este é um dos monumentos mais elegantes e bem preservados de Varsóvia. Construído no século XVII para o rei João III Sobieski, combina influências barrocas italianas com elementos típicos da arquitetura polaca. Rodeado por extensos jardins geométricos e um lago sereno, o palácio escapou quase intacto às destruições da Segunda Guerra Mundial, tornando-se hoje um dos raros testemunhos da Varsóvia aristocrática.

    Palácio Wilanów
    Palácio Wilanów

    Museu do Levantamento de Varsóvia: um olhar sobre 1944

    O Museu do Levantamento de Varsóvia é considerado uma das instituições culturais mais importantes do país. O museu documenta a insurreição de 1944 contra a ocupação nazi, apresentando um relato detalhado dos 63 dias de resistência e das consequências devastadoras da derrota. É um dos locais essenciais para compreender a dimensão histórica e emocional da cidade.

    Gueto de Varsóvia e Museu POLIN

    Durante a ocupação, Varsóvia foi palco do maior gueto judaico da Europa. Hoje, poucos vestígios físicos sobreviveram, mas a memória permanece viva através de vários monumentos e do traçado urbano: em diversos pontos da cidade, o local onde se erguia o muro do gueto está assinalado no chão, permitindo compreender a dimensão e os limites daquele espaço. O Museu POLIN, dedicado à história milenar dos judeus na Polónia, aprofunda esta herança com uma abordagem inovadora de contextualização histórica.

    Gueto de Varsóvia
    Linha que sinaliza a localização do gueto de Varsóvia

    Praga-Północ: o bairro que escapou à destruição

    Enquanto grande parte de Varsóvia foi reconstruída, o bairro de Praga-Północ, na margem direita do rio Vístula, preservou parte significativa da arquitetura original do início do século XX. Antigamente marcado pela pobreza e pelo abandono, transformou-se nos últimos anos num dos polos criativos mais ativos da cidade, com galerias, espaços culturais e murais urbanos. O Centro Koneser, instalado numa antiga fábrica de vodka, simboliza esta renovação.

    Palácio da Cultura e Ciência: relíquia de um outro regime

    Oferecido pela União Soviética em 1955, o Palácio da Cultura e Ciência continua a ser o edifício mais controverso de Varsóvia. Com 237 metros de altura, domina o skyline e funciona como centro cultural. Do miradouro no 30.º andar obtém-se uma das melhores vistas sobre a cidade reconstruída e sobre os arranha-céus modernos que hoje moldam o centro financeiro.

    Palácio da Cultura e Ciência
    Palácio da Cultura e Ciência entre a modernidade da cidade

    Para quem a visita, a impressão final é clara: Varsóvia não é uma cidade que procura esconder cicatrizes — é uma cidade que as transforma em força, em elementos ativos da sua identidade.

  • Antígua Guatemala

    Antígua Guatemala

    Há cidades que parecem guardar o tempo nas suas ruas. Antígua Guatemala é uma delas. Caminhar pelas pedras gastas da calçada é sentir o eco de um passado colonial que ainda se sente em cada fachada colorida, em cada varanda de ferro forjado e nos pátios escondidos atrás de grandes portas de madeira.

    Arco de Santa Catalina
    Arco de Santa Catalina

    A cidade vive num equilíbrio delicado entre a memória e a vida presente. As ruínas das igrejas, abertas ao céu depois de vários terramotos, lembram-nos a fragilidade das grandes construções humanas, mas também a sua beleza intemporal. Entre elas, erguem-se templos ainda vivos, mercados cheios de cor e cheiros e praças onde as pessoas se encontram num ritmo tranquilo e descontraído.

    Parque Central de Antígua
    Parque Central de Antígua

    Ao fundo, como guardiões silenciosos, os vulcões Acatenango, Aqua e Fuego vigiam a cidade. O Fuego, sempre inquieto, deixa escapar nuvens de cinza que lembram a força da natureza que moldou – e continua a moldar – esta terra.

    Mas Antígua não é só passado ou cenário de filmes. É também o sorriso das mulheres com as suas roupas tradicionais, é o aroma a café fresco das plantações vizinhas, é o som de guitarras e marimbas que se mistura com o bulício das ruas. É uma cidade que convida a abrandar, a observar e a deixar-se ficar um pouco mais.

    Em Antígua, cada esquina conta uma história e cada olhar descobre um novo detalhe. Talvez seja isso que a torna tão especial: não se mostra de uma vez, mas vai-se revelando a quem lhe dá tempo.

  • Frías, uma jóia medieval suspensa no tempo

    Frías, uma jóia medieval suspensa no tempo

    Aninhada no coração da província de Burgos, em Espanha (um dos povoados mais belos de Espanha), a encantadora vila de Frías é um daqueles lugares que parecem ter parado no tempo. Com o seu castelo medieval, casas suspensas na montanha e ruas de pedra, o “pueblo” transporta-nos para uma época em que cavaleiros e damas passeavam pelas suas muralhas.

    Uma História Rica e Resiliente

    Frías tem uma história rica e turbulenta, marcada por batalhas, conquistas e reconquistas. A sua localização estratégica, no topo de um penhasco rochoso, tornou-a um ponto de defesa importante ao longo dos séculos. O Castelo de Frías, com as suas imponentes muralhas e torres, é um testemunho silencioso do passado militar da vila.

    Frias, Espanha
    Frias, Espanha

    Um castelo suspenso sobre o abismo

    O Castelo dos Velasco, construído no século X e ampliado ao longo da Idade Média, ergue-se orgulhosamente sobre um penhasco que domina o vale do rio Ebro. A vista a partir das muralhas é de cortar a respiração, com o casario empoleirado nas encostas e a paisagem verde a perder de vista. O castelo não é apenas uma peça de arquitetura militar: é o símbolo da identidade de Frías, testemunha silenciosa das batalhas, alianças e intrigas de séculos passados.

    Casas penduradas e ruas de pedra

    Um dos aspetos mais encantadores de Frías são as suas casas penduradas, construídas em madeira e pedra, que desafiam a gravidade nas encostas íngremes da cidade. Caminhar pelas suas ruas estreitas e empedradas é como folhear as páginas de um livro de história vivo, onde cada esquina guarda uma história, uma vista panorâmica ou um pequeno detalhe que faz parar o passo.

    Igreja de San Vicente Mártir
    Igreja de San Vicente Mártir

    Uma ponte que conta histórias

    À entrada da cidade, a ponte medieval sobre o rio Ebro, com mais de 100 metros de comprimento e uma torre defensiva no centro, é um dos postais mais icónicos de Frías. Construída no século XIV, esta ponte de pedra é uma obra-prima da engenharia da época e um ponto de partida perfeito para explorar o núcleo urbano.

    Torre defensiva, Frías
    Torre defensiva, Frías

    Tradição e tranquilidade

    Frías é um lugar onde o tempo passa devagar. Não há pressa. Apenas o som dos pássaros, o vento a soprar pelas colinas e o tilintar de sinos ao longe. A gastronomia local é outro ponto alto: carnes grelhadas, queijos curados e vinhos da região combinam-se com a simpatia dos poucos habitantes, que recebem os visitantes com um sorriso genuíno.

    Porque deves visitar Frías?

    Num país repleto de grandes cidades, Frías mostra que a grandeza não se mede pelo tamanho. É um lugar para respirar fundo, sentir o peso da história, e deixar-se inspirar pela harmonia entre o humano e o natural. Ideal para uma escapadela tranquila, uma pausa na estrada ou simplesmente para te reconectares com a essência de viajar: descobrir, escutar e sentir.

    Frias
    Frias
  • DJI Neo um drone perfeito para viagens descontraídas

    DJI Neo um drone perfeito para viagens descontraídas

    O DJI Neo é a conjugação perfeita para quem quer viajar leve, sem preocupação em “fixar” um drone em si e sem gastar muito dinheiro. O Neo é o drone mais leve (135 g), mais pequeno e mais acessível (cerca de 199 euros, sem controlo remoto) da vasta gama da DJI.

    O Neo foi feito para que qualquer pessoa possa tirar uma selfie, uma fotografia de paisagem, filmar-se e partilhar nas redes sociais (e outros locais).

    Este drone tem uma câmara 4K com estabilização de eixo único, tempo de voo útil de cerca de 20 minutos e armazenamento interno de 22 GB (sem possibilidade de adicionar cartão). É pequeno o suficiente para descolar e aterrar a partir da palma da mão e como as hélices têm proteções, evita ferimentos, ou pelo menos o perigo é reduzido.

    Pode comprar apenas o DJI Neo, com uma única bateria, ou pode adquirir o Fly More Combo Kit (cerca de 325 euros), que vem com o novo comando RC-N3, duas baterias adicionais e um hub de carregamento.

    É possível comandar a aeronave apenas com o telemóvel, através da aplicação DJI Fly, ou com o Remote Controller (apenas com o RC 2 ou superior) de outros drones DJI que eventualmente já tenha.

    Atenção: o comando RC 1 não é compatível com o DJI Neo.

  • Autorização entrada no Reino Unido – ETA

    Autorização entrada no Reino Unido – ETA

    Tal como mencionado na página do Governo do Reino Unido, a forma mais fácil e segura de pedir a autorização (ETA) para entrar no país é através do site oficial, acessível pelo link.

    É fácil, basta instalar a aplicação pelo QR Code disponível no site e pedir todas as autorizações que necessitar.

    O valor é de cerca de 12,70 euros (10 libras esterlinas).

    A aprovação será dada em 15 dias mas poderá demorar muito menos tempo (no nosso caso foi no mesmo dia). Após aprovação não é necessário imprimir qualquer confirmação basta dirigir-se ao aeroporto com o passaporte que foi registado no sistema.

  • Mesquita de Al-Hakim, o paradoxo do Cairo

    Mesquita de Al-Hakim, o paradoxo do Cairo

    Entro portas adentro, o silêncio impera. A balbúrdia do Cairo ficou lá fora e desaparece, reina a paz.

    Descalço-me, entrego o calçado a um homem que guarda os pertences de quem entra e outro vem ter comigo como se estivesse à minha espera. Pergunta-me se me pode acompanhar na visita à mesquita. Resisto por uns segundos mas logo aceito. Dirigimo-nos ao sahn, o páteo central da mesquita.

    São três da tarde de um dia de agosto, o sol está alto e o calor queima a pele. Chego próximo do mármore branco do chão, estou descalço,  estranhamente não hesito, na verdade nem sequer penso muito e o chão não queima os pés, nem sinto muito calor. No centro do páteo o fontanário onde os fieis se purificam antes da oração. O anfitrião explica que a água não é potável, serve apenas para lavagem.

    Páteo central
    Páteo central

    Atrás de nós, acima do telhado, as duas imponentes torres, outrora minaretes onde se queimava incensos para perfumar a cidade e chamar os fieis à mesquita, uma tradição fatímida. O senhor faz questão de dizer que hoje já não são minaretes, o minarete está do outro lado.

    Torres do incenso
    Torre do incenso

    Chegados ao outro lado do páteo, aos claustros, tinha acabado a oração, e o muezim, o homem que recita o chamamento (adham) para a oração, estava no mirhab virado de costas para nós, para o qual o meu guia aponta e diz-me para tirar fotografias, pois poucas oportunidades (autorizadas) destas acontecem. O mirhab é um nicho, virado na direcção de Meca, existente nas mesquitas para o qual os muçulmanos devem virar-se durante as orações.

    Mirab
    Mirab

    Tiro algumas fotografias e prosseguimos pelo claustro, e sala de oração, em direcção ao púlpito. O chão é verde, uma cor sagrada para os muçulmanos, diz no Alcorão que o céu (paraíso) é verde. Chegados ali o homem explica que, tal como nas igrejas cristãs, também nas mesquitas existe um local alto onde o Imã faz o sermão da sexta-feira. Explico-lhe que, hoje em dia, nas igrejas já não é utilizado. Faz questão de dizer que muçulmanos, cristão e judeus são todos iguais, têm todos a mesma origem mas infelizmente o islão é sempre considerado terrorista. Digo-lhe que não, e como que surpreso agradece.

    Sala de orações
    Sala de orações

    Os tetos e paredes são decorados com típica arte islâmica e já pouco resta da mesquita original começada a construir no ano de 990, durante o califado fatímida. Ao fundo do corredor, uma parede em pedra mostra, numa delas, uma inscrição árabe, dos poucos vestígios da mesquita original que chegou aos nossos dias.

    Já no fim da visita, perguntei quanto era. O homem, com toda a calma e voz suave que o acompanhara em todo o percurso, diz-me: muito obrigado, fiz questão de o acompanhar na visita porque quero mostrar o que a nossa religião e cultura são, não precisa dar nada…

  • I bought a drone, now what? Rules for using a drone in Portugal

    I bought a drone, now what? Rules for using a drone in Portugal

    Drones can give us a completely different perspective on the places we travel to and more and more travelers (and beyond) are choosing to carry a drone in their luggage.

    This article aims to clarify legal issues: what we can do, how and where we can do it, and what the best practices are before using one of these aircraft.

    Attention, these tips are only applicable in Portugal.

    To regulate the growing number of drones in the skies of Portugal, the Autoridade Nacional da Aviação Civil [National Civil Aviation Authority] (ANAC) created some new rules for these aircraft, and to better clarify and raise awareness among drone users, it created the Voa na Boa website, which contains all the information necessary for this practice.

    Below are the main rules for using drones (you don’t need to consult the website):

    Is drone registration mandatory?

    It is mandatory to register all pilots and drones, whose aircraft weight is above 250g, and/or capture images (and other data).

    To register, access the National Aeronautical Authority – AAN website and register. You will then receive a registration confirmation email with a declaration that you must sign and send, within 10 days, to the address indicated.

    After the declaration has been validated by the authorities, you will receive a new email with confirmation. Once registration is confirmed, you will be able to start making flight authorization requests on the same AAN website.

    You must also register with Autoridade Nacional da Aviação Civil [National Civil Aviation Authority].

    Should I do training?

    The training of remote pilots in the A1, A2 and A3 subcategories, of the open category, has been mandatory in Portugal since August 31, 2021.

    To take the training you must access the ANAC website and, depending on the subcategory, you will take the exam in person or online.

    Do I always have to ask permission to fly my drone?

    Requesting authorization for all flights is mandatory in Portugal if the drone meets the requirements of the previous answer. This authorization request is also made on the AAN website. It’s very simple, just keep in mind that the order may not be available for the next 48 hours (or more), place your orders a few days in advance.

    Attention, requesting a flight authorization from AAN does not exempt you from obtaining authorizations or opinions from other entities such as the Institute for Nature Conservation and Forests (in the case of flights in protected areas or natural parks) or the National Data Protection Commission (in the case of capturing images of people or buildings) depending on the purpose or location of the flight. In the case of protected areas, flying over them and recording images is prohibited, except for scientific or environmental protection purposes.

    It is also worth checking the temporarily prohibited areas on the AAN website.

    If you travel abroad you should always consult the authorities of that country, this article has some information for some countries (for categories A1-A3).

    Am I required to have insurance?

    Civil liability insurance is mandatory for drones weighing more than 900g (Decree-Law nº 58/2018).



  • Luxor, a cidade de ouro perdida no tempo

    Luxor, a cidade de ouro perdida no tempo

    Há mais de três mil anos, Akhenaton decidira abandonar Tebas, atual Luxor, e construir uma nova capital. A razão pela qual tomou essa decisão é um mistério até hoje, mesmo depois de descoberta a antiga metrópole de Tebas ninguém sabe porque abandonou esta “cidade de ouro”.

    Luxor, era o coração político e religioso do Egito durante o Império Novo, o período de maior esplendor do Antigo Egito. Lar de faraós que construíram templos magníficos e túmulos imponentes para garantir sua imortalidade, dividia-se na margem oriental do Nilo, associada à vida (da realeza), e na margem ocidental, onde acreditavam que estava o além, associada ao reino dos mortos. Hoje essa divisão está bem patente quando se visita: de um lado a cidade vibra na outra margem o tempo corre mais devagar – principalmente fora da época turística.

    Na margem oriental do Nilo, dois templos dominam a paisagem da cidade, o de Luxor no centro da cidade e o de Karnak, mais a norte. O Templo de Luxor, construído entre os anos 1400 e 1000 a.C. pelos faraós Amenhotep III e Ramsés II, foi dedicado ao deus Amon. Já no século XIII foi construída dentro do templo a mesquita Abul Hagague que ainda hoje existe. Foi, aliás, deste templo que saiu o obelisco da Praça da Concórdia em Paris, oferecido pelo vice-rei do Egito, Mehemet Ali em 1836.

    Templo de Karnak
    Templo de Karnak

    A três quilómetros para norte fica o Templo de Karnak, outrora ligado ao de Luxor pela impressionante Avenida das Esfinges, este templo é o maior complexo de templos do Egito e, talvez, o mais impressionante dos monumentos (pelo menos para nós). Foi expandido ao longo de mais de 2000 anos por sucessivos faraós, entre eles Hatsepsut, Seti I, Ramsés II e Ramsés III, mostra-se grandioso com o Grande Salão Hipostilo, com mais de 5000 metros quadrados, tinha 134 colunas, elevando o teto (já inexistente) a cerca de 23 metros de altura. Ainda é possível ver o que resta de parte da Avenida das Esfinges (na imagem anterior), à entrada do templo, 40 esfinges com cabeça de carneiro perfilam-se.

    Na margem ocidental do Nilo, onde o sol se põe, os faraós construíram os seus túmulos acreditando que ali começaria uma nova jornada para a vida eterna. O Vale dos Reis está no sopé da montanha Alqurn, que observada de qualquer ponto do vale parece uma pirâmide. Entre o primeiro túmulo, mandado escavar por Tutmés em 1504 a.C., e o último,  construído por Ramsés XI, passaram mais de 500 anos.

    Montanha Alqurn
    Montanha Alqurn

     

    Túmulo de Ramses VII
    Túmulo de Ramses VII

    No Vale das Rainhas onde estas foram sepultadas, está o de Nefertari, esposa favorita de Ramsés II, dizem ser um dos mais belos do Egito e tornou-se famoso pelas suas pinturas de cores vibrantes.

    Muito perto dos vales está o majestoso Templo Mortuário de Hatshepsut, mandado erigir pela faraó Hatshepsut. Impressiona pela sua arquitectura que o integra na montanha fazendo com que pareça um único edifício.

    Templo de Hatshepsut
    Templo de Hatshepsut

    Histórias que continuam a  inspirar e a fascinar quem visita Luxor são as dos Colossos de Memnon, duas monumentais estátuas de pedra do Faraó Amenhotep III às quais os gregos deram o nome de Memnon. De acordo com a mitologia grega, é o filho mortal de Eos, a deusa da Aurora, morto por Aquiles. Segundo uma lenda, acreditava-se que uma das estátuas cantava. Um terramoto no ano de 27 a.C. destruiu a parte superior de uma das estátuas causando barulho no contacto do vento com o orvalho da manhã. Dizia-se que cantava pela destruição da outra estátua.

    Colosso de Memnon
    Colosso de Memnon

    Falar de Luxor é falar do Nilo, não é que o Cairo ou outras cidades do Egito não tenham uma ligação com o rio – todo o Egito a tem – mas nesta cidade é diferente, o rio é a sua alma. O majestoso Nilo corre tranquilo, percorre-lo de feluca (barco tradicional) é uma experiência única, ao longo das margens campos verdejantes contrastam com o deserto ocre do deserto ao longe.

    Feluca no rio Nilo
    Feluca no rio Nilo
  • Qual a melhor forma de pesquisar e comprar viagens e voos baratos

    Qual a melhor forma de pesquisar e comprar viagens e voos baratos

    Encontrar voos baratos tem muitas vantagens (como é lógico 😍), significa comprar por menos, viajar mais vezes e ficar com mais dinheiro para gastar no destino.

    Certamente não é novidade, a pesquisa começa num dos sites de pesquisa de voos ou viagens.

    Alguns motores de pesquisa de voos ou viagens

    Não há um site de pesquisa de voos melhor ou pior, cada um deles tem características próprias (diferentes) e acabam por se complementar uns com os outros, dependerá muito da preferência do utilizador. Recomendamos que utilize pelo menos dois deles para comparar preços:

    • O Google Flights é uma ferramenta de pesquisa de voos poderosa e fácil de usar. Permite que os utilizadores comparem preços de voos em várias companhias aéreas e encontrem as melhores opções de viagem com base em datas flexíveis, destinos e orçamento (tem alertas de preços). Também dá sugestões de visita nos destinos.
    • O Skyscanner é outra ferramenta popular de pesquisa de voos que compara preços de voos, hotéis e aluguer de carros em todo o mundo. Oferece recursos úteis, como a capacidade de configurar alertas de preços e explorar destinos com base em interesses e orçamento.
    • O Kayak é uma plataforma abrangente de pesquisa de viagens que compara preços de voos, hotéis, aluguer de carros e pacotes de viagens. Oferece recursos avançados, como previsões de preços e ferramentas de planeamento de viagens.
    • O Momondo é, talvez, a plataforma com a interface mais intuitiva. Oferece recursos como rastreamento de preços e recomendações de destinos com base em interesses e orçamento (tem alertas de preços).

    Além dessas ferramentas, existem muitas outras disponíveis, cada uma com os seus próprios recursos e vantagens.

     

    Como funcionam os sites de pesquisa de voos?

    De uma forma genérica, todos contém a mesma informação mas a forma como a mesma é tratada e fornecida ao utilizador é que pode ser diferente. Explicar o processo é um pouco complexo (e em boa verdade o algoritmo usado só a empresa detentora o conhece) e embora não haja uma resposta inteiramente correta, é sabido que estes sites utilizam muitas técnicas para ajustar os preços das passagens aéreas. A utilização de cookies do navegador/browser é um factor que pode influenciar os preços, mas não é único.

    Vejamos algumas técnicas que estes sites utilizam para ajustar os preços:

    • Cookies do navegador/browser: Os cookies são pequenos ficheiros de texto armazenados no seu computador que registam informações sobre sua atividade na web. Alguns sites de viagens podem usar essas informações para ajustar os preços com base no seu histórico de pesquisa. Por exemplo, se pesquisar várias vezes as mesmas rotas ou datas, o site pode aumentar os preços na esperança de nos sentirmos tentados a comprar;
    • Localização geográfica: Os sites de viagens podem ajustar os preços com base na sua localização geográfica. Por exemplo, podem oferecer preços mais baixos para pessoas em determinados países ou regiões, ou aumentar os preços se estivermos numa região com maior poder de compra;
    • Histórico de compras: Se o site detectar que costumamos comprar passagens caras ou de última hora, pode ajustar o preço. Por outro lado, se costumamos procurar ofertas ou comprar com antecedência, pode devolver preços mais baixos;
    • Pedidos sazonais e padrões de reserva: Os preços das passagens aéreas podem variar com base na sazonalidade e nos padrões de reserva. Por exemplo, os preços podem subir durante os períodos de férias ou eventos especiais, ou se houver muitos pedidos de voos para um determinado destino.

    Resumindo, os cookies do navegador/browser podem influenciar a forma como os preços das passagens aéreas são ajustados, mas são apenas um dos muitos factores que os sites de viagens consideram ao definir preços.

    Uma ideia importante que devemos considerar é que este tipo de sites não favorece apenas o “viajante”, também pode favorecer as companhias aéreas – maximiza a receita, melhora a gestão da capacidade (rotas, preços, horários, etc.), aumenta a competição e segmenta o mercado – e por isso mesmo temos de tentar “contornar” o sistema.

     

    O que posso fazer para melhorar os resultados?

    Para que não haja possibilidade do site guardar cookies no seu computador e assim saber quantas vezes pesquisou e o que pesquisou – neste truque não faça login no site porque o sistema acabará por ter a mesma informação que retira com o cookie – utilize um browser proteja a sua privacidade na web (DuckDuckGo ou mais radical o Tor).

    Caso não queira aplicar nenhuma das sugestões anteriores, simplesmente limpe os cookies do browser (Ctrl + Shift + F5 no Windows ou Cmd + Shift + R no Mac).

    Para camuflar a sua localização há duas possibilidades. A mais complicada seria configurar um proxy no seu browser, a mais simples é utilizar uma VPN. Existem várias e as vantagens em cada uma delas dependerá basicamente do valor que pagar por elas (a Proton VPN (também tem uma versão gratuita), a Surfshark, Avira).

    Importante: é habitual em viagem poder utilizar uma rede wi-fi gratuita. Sempre que possível, faça-o com VPN, isto evitará que outras pessoas (os donos das redes) tenham acesso aos seus dados.

     

    Agora que sabe alguns truques e dicas de pesquisa complemente com as sugestões seguintes:

    Configure alertas de preço

    Configure alerta de preços permite ir acompanhando a evolução do preço sem se preocupar em fazer pesquisas regulares. Assim que o preço estiver do seu agrado ou já não lhe interessar o destino simplesmente desactive o alerta para o voo em questão.

    Compare os preços

    Antes de fazer a compra compare os preços fornecidos pelo site de pesquisa de voos com o da companhia aérea. Dependendo dos destinos poderá haver diferenças grandes.

    Pesquise com alguma antecedência

    Não há uma antecedência certa para se pesquisar voos baratos.  Há quem fale em 6 meses, há quem diga 8 semanas. Tudo depende da origem e do destino, mas pela nossa experiência o conselho é pesquisar o mais cedo possível. Esta antecedência permite ir acompanhando a evolução dos preços com muita antecedência e reservar com melhor preço.

    Flexibilidade

    Quanto mais flexibilidade tiver em datas e destinos mais possibilidade terá de encontrar preços baratos. Mas como nem sempre a vida nos permite flexibilizar estes dois aspetos tente ajustar da melhor forma.

    Evite reservar às segundas-feiras e sextas-feiras (principalmente ida).

     

    Esperamos ter ajudado! 😉

     

    fotografia de capa: Leszek Stępień

  • Revisitar e percorrer a história de Atenas

    Revisitar e percorrer a história de Atenas

    Quando se visita Atenas não se conhece apenas uma grande cidade com monumentos e lojas de lembranças, entra-se num museu que nos dá a conhecer uma grande parte da história da humanidade. Caminhar pelas ruas de Atenas é fazer os mesmos caminhos de grandes filósofos, poetas, guerreiros e arquitectos visionários que moldaram o curso da civilização e transformaram esta cidade no principal centro cultural e intelectual do Velho Mundo. É sentir uma das cidades mais antigas do mundo, habitada há mais de 3000 anos.

    Durante o período clássico da Grécia Antiga, entre os séculos VI a.C. e IV a.C., Atenas celebrava todos os anos a procissão Panatenaica (fazia parte das festas realizadas em homenagem à deusa grega Atena) que atravessava a via com o mesmo nome. Esta artéria ía da porta de Dipilon, na muralha da cidade, até à Acrópole (culminando no templo de Erecteion ou no Parthenon, dependendo do ano) passando pela Ágora, uma ampla praça rodeada de edifícios públicos, entre eles as Estoas, grandes edifícios onde comerciantes vendiam os seus produtos, artistas expunham as suas obras e pensadores, como Sócrates ou Platão, debatiam ideias. Hoje, na Ágora grega, podemos visitar a Estoa de Átalo, reconstruída no século XX, e à sua frente, numa pequena colina o Templo de Hefesto (Deus do Fogo) [fotografia de capa], considerado o templo grego melhor conservado.

    Com a ascensão do poderio marítimo, Atenas transformava-se numa importante potência naval do Mediterrâneo, com uma frota de cerca de 900 barcos, estabelecendo na península de Piréu uma base naval fortificada. Para assegurar o acesso de Atenas a este porto, Péricles construiu uma via muralhada que ligava a base naval diretamente à cidade de Atenas. Atualmente a via muralhada já não existe e do Porto de Piréu já não saem navios de guerra, mas funciona como ponto de partida para as ilhas gregas e é paragem obrigatória dos cruzeiros que percorrem o Mar Egeu.

    Península de Piréu, Grécia
    Península de Piréu

    No início do século I a.C., já no Império Romano, Atenas continuou a crescer graças à vontade de alguns imperadores de Roma, principalmente Adriano qua a visitava várias vezes, e é nessa altura que foi criada a Ágora Romana. Aqui, num dos extremos, pode-se ainda ver a Torre dos Ventos, também conhecida pela Torre do Horológio, pois tem um relógio de água no interior e um relógio de sol no exterior, e o resto do que ficou de uma das entradas da Ágora.

    Torre dos Ventos, Atenas
    Torre dos Ventos

    O Imperador Adriano resolveu acabar as obras do Templo de Zeus Olímpico, que tinha começado a ser construído sete séculos antes, durante o governo grego. Um dos maiores templos gregos, com mais de 4000 metros quadrados, tinha 104 colunas coríntias das quais apenas restam 16 que podem ser visitadas.

    Templo de Zeus Olímpico
    Templo de Zeus Olímpico

    Fora das muralhas, hoje centro da Atenas, foi reconstruído por Heródes Ático, o Estádio Panatenaico – originalmente construído no século IV a.C. para os jogos Panatenaicos (que também faziam parte das festas da deusa Atena) – para receber provas de atletismo. Durante a Idade Média foi desmantelado para aproveitar pedra para outras construções na cidade e finalmente em 1896 voltou a ser reconstruído para receber os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna.

    Estádio Panatenaico, Atenas
    Estádio Panatenaico

     

    Acrópole, Atenas
    Acrópole e Odeon de Heródes (em primeiro plano), Atenas

    Logo abaixo da Acrópole pode visitar-se o Odeon de Heródes que em 1950 foi restaurado e desde esse ano é palco do Festival de Atenas (entre maio e outubro).

    Mas é na Acrópole (do grego akros, o ponto mais alto e polis, cidade) que fica o expoente máximo de Atenas e da Grécia, a Acrópole de Atenas. Uma obra prima sem igual, mandada construir por Péricles, em 447 a.C., representa o esplendor de Atenas, a primeira democracia do mundo.

    Inicialmente uma fortaleza e santuário religioso, destruído pelos persas aquando da invasão de Atenas, foi projectado por Fídeas, totalmente construído em mármore, concentra arte, religião e política num só lugar. Ainda hoje continua a inspirar arquitectos de todo o mundo e isso espelha-se na Assembleia Nacional de França em Paris, a Câmara Municipal de Verona, o Panteão de Roma e até mesmo o logotipo da UNESCO.

    Ao lado do Parthenon foi erigido o Erecteion, um centro de culto dos atenienses onde há 2500 anos se planta uma oliveira (ainda hoje é possível ver essa oliveira), a árvore emblemática da cidade, para recordar o mito fundador de Atenas que opôs Poseidon e Atena.

    À entrada da Acrópole está a escultura de Nice, ou Atena Nice (ou Nike), a deusa da Vitória. As estátuas desta deusa eram usadas para comemorar as vitórias nas batalhas. Uma das mais famosas é da vitória de Samotrácia que está no Museu do Louvre, destacada no cimo de uma escadaria.